sábado, 14 de maio de 2016

Perdoar-se é preciso!


Desenho tirado do filme 500 dias com ela.

Eu poderia escolher o caminho mais fácil de esquecer. Deixar pra lá. Tacar um foda-se, xingar e desejar que o outro se ferre, no entanto, acredito que nunca vão ouvir isso de mim- tenho até raiva disso. Essa característica talvez seja a minha melhor qualidade e o defeito que mais me prejudique. Se eu chegar a dizer- a quem quer que seja - ninguém morrerá por isso. Essa atitude só provará o quanto as atitudes do outro- as distorções cognitivas- podem nos contaminar. 

Não consigo sentir raiva de você apenas não consigo me perdoar - por ter me anulado tanto em detrimento do outro. Talvez por essa razão, o meu processo de deixar pra lá seja mais demorado,pois, não consigo substituir pessoas, nem sentimentos, por isso tenho tanta dificuldade de encerrar ciclos, de se importar excessivamente com o que o outro pensa ao meu respeito e, principalmente, não saber lidar com perdas. No entanto, pela primeira vez na vida - no histórico dos meus relacionamentos - tenho procurado pensar mais em mim; como medida compensatória para recuperar o tempo doado ao último romance, que apesar de todo aprendizado, e sentir que a reciprocidade só tenha existido dentro de mim.
Apesar das consequências estarem batendo a minha porta diariamente, e tenha que encontrar forças nas flores que tornam meu dia mais colorido, na arte de teletransportar através da fotografia,  observar a serenidade do pôr do sol, no cheiro de saudade que a jasmim me proporciona, ou no colo de Deus representado pela minha mãe - eu não consigo me arrepender de ter se doado, e ter raiva de você seria o caminho mais fácil pra esquecer, nutrir sentimentos negativos e tacar o foda-se. Se doar ao outro e ter a sensação de estar mendigando sentimento foi uma lição dura, que não desejo a ninguém, mas a mesma sensibilidade que tenho pra escrever tudo isso - meu coração diz que não foi por maldade - tenho aprendido a amenizar as proporções da dor, embora não consiga ainda, me perdoar por ter dado um basta antes em respeito aos meus sentimentos. Desejo nunca mais repetir esse erro, mas como tenho uma natureza filha da puta em estender a mão quando precisam de mim, não duvido que - a tão duvidosa vida- me ponha à prova novamente.





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