quarta-feira, 17 de novembro de 2010


Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Clarice Lispector

sexta-feira, 12 de novembro de 2010


Não tenho mais a mesma vontade que eu tinha de escrever sobre você.Talvez os últimos acontecimentos,e seu comportamento fizeram eu desacreditar que era só uma questão de tempo para nós realmente começarmos a nossa história.Por mais angustiante que fosse a sua situação eu entendia você.Mas não entendia suas justificativas, suas variações de Humor, suas avaliações precoces em relação ao meu comportamento diante de um futuro namoro, evidenciando meus defeitos que  eu realmente não sei se os possuo,que a pouco tempo atrás você não os via.
Eu estava tão preocupada em agradar você, que estava deixando de ser eu,esquecendo que primeiramente a função de ser feliz cabe exclusivamente a mim,para depois fazer florar a felicidade no próximo.Embora as pessoas saibam de tudo isso na teoria,elas nunca seguem a razão.Embora temos a certeza que nascemos sozinho e o mesmo ocorre na morte,sempre voltamos para casa querendo ser de algúem,estar com alguém,porque viver sozinho é abandono demais.
Não sei o que fazer,não queria sair desta história quando ainda nem começou,mas se for necessário vou enfrentar e levantar.Mas primeiramente precisava olhar pra você e ter a certeza que os fatos correspondem a verdade,que chegou até a ser corvade.Enfim não se preocupe comigo,não vou tomar nenhuma medida medida drástica a não ser continuar.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010



"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar."

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A intolerância nossa de cada dia.

Não gostar de carnaval, odiar praia, amar a solidão, desejar pessoas do mesmo
sexo. Sim, é possível encontrar aqueles que não possuam exatamente os mesmos
gostos, ao contrário disso, que estão anos luz de distância daquilo que a
maioria acredita ser o bom, o nobre e o justo. Mas é fato que, no cotidiano de
cada um, muitas vezes as convencionalidades dão espaço para
prazeres considerados estranhos, exóticos ou, por vezes, inaceitáveis.

O ser humano  possui hábitos desde o instante em que nasce, herdados de sua condição familiar, os quais mostram-se arraigados ao longo da vida adulta; a partir do princípio de
que somos passíveis de mudanças, posto sejamos evolutivos, outros hábitos são adquiridos no percurso do autoconhecimento, quando enfim nos rendemos as nossas querências as mais entranhadas. É aí que surgem os gostos por vezes  "diferentes", uma vez que não correspondam àquilo que a maioria aceita como regra vigente.

Mas quem, afinal, pode afirmar o que é certo ou errado em termos de escolhas pessoais? E quem disse que aquilo que é o aceito pela massa deve ser símbolo irrefutável e 
inquestinável de um valor a ser internalizado e posteriormente vivenciado? Já
disse o dramaturgo Nelson Rodrigues, que "toda unanimidade é burra". Em uma
sociedade mundial de princípios cada vez mais parecidos, onde as pessoas passam
a desejar sempre os mesmos signos de sucesso, independentemente de suas origens
repletas de peculariedades, essa máxima torna-se uma  verdade trágica. 
 O processo de globalização estreitou fronteiras, permitiu uma troca de cultura e informação extraordinária, mas também aniquilou muito daquilo que existia de
diossincrático em cada sociedade. No oriente, recanto de uma espiritualidade
milenar, observa-se hoje uma juventude viciada em grifes ocidentais, rendida aos parâmetros de vida que induz todos a se comportarem da mesma forma: seres
individualistas em busca dos modelos de aceitação. Se no Japão alguns jovens
fazem cirurgias plásticas para alargar seus olhos a fim de se parecer com o
modelo estético ocidentalizado, o que dizer dos latinos, eternos chupins da
cultura anglo-saxônica a lhes ditar regras e preceitos? É notório que as pessoas
andam bem parecidas, posto seja a moda hoje algo de alcance mundial, cada vez
mais acessível aos recônditos do planeta, vestindo e maquiando todos com as
mesmas tintas.
 A intolerância diária está presente quando o outro passa a nos olhar com desprezo e desdem a partir do instante em que não aceita que alguém possa ser de fato feliz não
possuindo o mesmo ideal que o seu; não se aceita que consigamos ser até mais
plácidos percorrendo a contramão de um caminho até então idêntico para todos.
Ademais, como acreditar que alguém não beba em uma festa, não saiba dirigir,
torça por dias chuvosos e não tenha mais do que um amigo? Outros questinamentos
se somam a esses em razão de um preconceito que, estranhamente, ainda existe__ o
qual deveria, ao contrário, estar mais apaziguado em vista de tanta liberdade
adquirida.
   O fato é que de alguma forma somos todos intolerantes, pouco afeitos às diferenças. Basta apenas que alguém se mostre irredutível às nossas ideias, a nossa escolha personalíssima destoante de uma saraivada de convencionalidades. Nesse momento
viramos feras humanas, verdadeiras bestas a nos proclamar sábios em meio a
ignorantes. Ainda será preciso muita dor oriunda dos entraves ideológicos,
reflexo das lutas diárias que travamos, para que o ser humano possa entender,
finalmente, o quanto cada um pode ser uno frente a um mundo de iguais.
Escrito por Sílvia Abraão
Ps:Tenho que ressaltar que esta é a melhor professora de redação do mundo.Não quero passar uma imagem de boba.mas é a absluta verdade.
Como ela diz,sejam tudo menos medíocres!