Não gostar de carnaval, odiar praia, amar a solidão, desejar pessoas do mesmo
sexo. Sim, é possível encontrar aqueles que não possuam exatamente os mesmos
gostos, ao contrário disso, que estão anos luz de distância daquilo que a
maioria acredita ser o bom, o nobre e o justo. Mas é fato que, no cotidiano de
cada um, muitas vezes as convencionalidades dão espaço para
prazeres considerados estranhos, exóticos ou, por vezes, inaceitáveis.
O ser humano possui hábitos desde o instante em que nasce, herdados de sua condição familiar, os quais mostram-se arraigados ao longo da vida adulta; a partir do princípio de
que somos passíveis de mudanças, posto sejamos evolutivos, outros hábitos são adquiridos no percurso do autoconhecimento, quando enfim nos rendemos as nossas querências as mais entranhadas. É aí que surgem os gostos por vezes "diferentes", uma vez que não correspondam àquilo que a maioria aceita como regra vigente.
Mas quem, afinal, pode afirmar o que é certo ou errado em termos de escolhas pessoais? E quem disse que aquilo que é o aceito pela massa deve ser símbolo irrefutável e
inquestinável de um valor a ser internalizado e posteriormente vivenciado? Já
disse o dramaturgo Nelson Rodrigues, que "toda unanimidade é burra". Em uma
sociedade mundial de princípios cada vez mais parecidos, onde as pessoas passam
a desejar sempre os mesmos signos de sucesso, independentemente de suas origens
repletas de peculariedades, essa máxima torna-se uma verdade trágica.
O processo de globalização estreitou fronteiras, permitiu uma troca de cultura e informação extraordinária, mas também aniquilou muito daquilo que existia de
diossincrático em cada sociedade. No oriente, recanto de uma espiritualidade
milenar, observa-se hoje uma juventude viciada em grifes ocidentais, rendida aos parâmetros de vida que induz todos a se comportarem da mesma forma: seres
individualistas em busca dos modelos de aceitação. Se no Japão alguns jovens
fazem cirurgias plásticas para alargar seus olhos a fim de se parecer com o
modelo estético ocidentalizado, o que dizer dos latinos, eternos chupins da
cultura anglo-saxônica a lhes ditar regras e preceitos? É notório que as pessoas
andam bem parecidas, posto seja a moda hoje algo de alcance mundial, cada vez
mais acessível aos recônditos do planeta, vestindo e maquiando todos com as
mesmas tintas.
A intolerância diária está presente quando o outro passa a nos olhar com desprezo e desdem a partir do instante em que não aceita que alguém possa ser de fato feliz não
possuindo o mesmo ideal que o seu; não se aceita que consigamos ser até mais
plácidos percorrendo a contramão de um caminho até então idêntico para todos.
Ademais, como acreditar que alguém não beba em uma festa, não saiba dirigir,
torça por dias chuvosos e não tenha mais do que um amigo? Outros questinamentos
se somam a esses em razão de um preconceito que, estranhamente, ainda existe__ o
qual deveria, ao contrário, estar mais apaziguado em vista de tanta liberdade
adquirida.
O fato é que de alguma forma somos todos intolerantes, pouco afeitos às diferenças. Basta apenas que alguém se mostre irredutível às nossas ideias, a nossa escolha personalíssima destoante de uma saraivada de convencionalidades. Nesse momento
viramos feras humanas, verdadeiras bestas a nos proclamar sábios em meio a
ignorantes. Ainda será preciso muita dor oriunda dos entraves ideológicos,
reflexo das lutas diárias que travamos, para que o ser humano possa entender,
finalmente, o quanto cada um pode ser uno frente a um mundo de iguais.
Escrito por Sílvia Abraão
Ps:Tenho que ressaltar que esta é a melhor professora de redação do mundo.Não quero passar uma imagem de boba.mas é a absluta verdade.
Como ela diz,sejam tudo menos medíocres!
Nenhum comentário:
Postar um comentário