A retrospectiva de 2013 será marcada por um
acontecimento significativo e tardio, pois no último mês, os brasileiros vivem um
momento histórico de contestação, iniciado na cidade de São Paulo, por
militantes na sua grande maioria de classe média.
Estes protestos tiveram como ponto de
partida, o aumento da tarifa no transporte urbano, porém esta temática
ocasionou diversas indagações contra o atual governo, devido à corrupção
exorbitada dos políticos e o descaso com o dinheiro que poderia ser melhor empregado na educação e saúde pública, já que são áreas cada vez mais precárias,
ao invés de aplicar nossos impostos na copa de 2014.
Devido à facilidade que as informações são
transmitidas, a era da sociedade em rede, onde todas as informações estão
conectadas, contribuiu para que as manifestações ganhassem repercussão nas
mídias sócias, visto que é uma importante ferramenta de mobilização social em
curto prazo, porém há um enorme desafio no ativismo eletrônico: não só
mobilizar opinião pública, mas conduzir uma transformação política organizada.
Não que seja uma causa impossível, mas a temática não se encerra na euforia das
ruas.
Fazendo um paralelo com o que Manuel
Castells, responde na entrevista, quando questionado se foi surpreendido com as
manifestações na Tunísia e Egito, o sociólogo afirma que no seu livro Comunicação
e Poder, que é possível criar novas possibilidades de mobilização da sociedade,
superando barreiras da censura e da repressão impostas pelo estado, pois não
depende apenas da tecnologia. ”A internet é uma condição necessária, mas não
suficiente. As razões da rebelião estão na exploração, opressão e humilhação”,
afirmou. Entretanto a possibilidade de não sermos atropelados pelo
imediatismo, depende da rapidez da mobilização, e está relacionado com a
capacidade criada pelas tecnologias, do
que chamei de “auto- comunicação de massas”.
Enfim, trazendo esta reflexão para as manifestações
no Brasil, constata-se que a manifestação tem caráter legítimo e pacifico,
embora esta temática que é de interesse inclusive dos policias, tenha sido
tratada de forma violenta, em algumas cidades do país, devido ao despreparo dos
policias, em saber discernir uma manifestação organizada, já que estão
acostumados a lidar com um público desordeiro, acabam executando um treinamento
ultrapassado, relembrando práticas da ditadura militar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário